PiraporinhaFilmes

4 de outubro de 2010

Watchmen o filme


Heróis sem super poderes e de moral duvidosa. Justiceiros deprimidos, lunáticos, psicopatas, hostilizados pela população e peões de um governo inescrupuloso. Não, estes não são os super-heróis que você está acostumado a ver. Bem-vindo ao mundo de “Watchmen

Entre os anos de 1986 e 87, o premiado Alan Moore criou esta série de 12 revistas em quadrinhos publicadas pela DC Comics, que mudaria a cara do gênero. O nome de Alan Moore sempre foi associado a duas coisas no mundo dos quadrinhos: bons trabalhos e brigas com a DC Comics. Autor de obras elogiadas como “Do Inferno”, “A Liga Extraordinária”, “V de Vingança” e sua re-invenção do título “O Monstro do Pântano”, Moore tem como seu trabalho mais premiado a mini-série “Watchmen”, que ainda conta com ilustrações de Dave Gibbons e colorização de John Higgins (a série recebeu um Prêmio Hugo, importante premiação no gênero de ficção e fantasia). E boa parte deste trabalho foi pontuada por diversas brigas do escritor com sua editora, com quem brigava constantemente pelos direitos da série. Depois de cortar relações com a editora e passar por processos contra a mesma, Moore ainda viu alguns de seus trabalhos vendidos pela DC para o cinema. A péssima adaptação de “Do Inferno”, com Johnny Depp, só colocou Moore ainda mais avesso a qualquer uso que a editora pudesse ter de seus trabalhos anteriores.

E finalmente chegou a vez de “Watchmen”. O aniversário de 20 anos de sua publicação quase coincidiu com o anúncio de Zack Snyder de dirigir a versão cinematográfica da revista. Snyder passava por uma ótima fase devido ao sucesso de “300”, outra adaptação de quadrinhos que impressionou pela capacidade do diretor em reproduzir a exuberância visual criada por Frank Miller. Mas dirigir o que muitos consideram “a Bíblia dos quadrinhos” (fãs podem ser bastante exagerados) trouxe o ceticismo de alguns e imediato preconceito de muitos.
Seria Snyder capaz de capturar toda a complexidade emocional da série? Dois anos depois a resposta é sim .
O assassinato de um herói mascarado leva um paranóico colega de profissão a uma investigação atrás de possíveis assassinos de mascarados, reencontrando antigos combatentes do crime que tomaram os mais diversos rumos em suas vidas depois que o governo proibiu sua atuação. Os acontecimentos são catalisados pelo risco cada vez mais claro de um ataque nuclear dos soviéticos aos EUA, que sob a liderança de Richard Nixon venceram a Guerra do Vietnã. Tudo que impede o ataque dos russos é Dr. Manhatan, único super-herói com poderes reais, que trabalha para o governo americano e garantiu a vitória dos ianques no Vietnã. Mas este ser de poderes assombrosos parece cada vez mais indiferente aos acontecimentos do mundo.

A complexidade da trama e a extensão eram os principais desafios para se fazer um único filme que reunisse toda a história de “Watchmen”. As revistas não eram lineares e para o filme manter a fidelidade ao original este teria de ter uma edição genial e a coragem para remover alguns de seus elementos. O filme consegue as duas coisas: reunindo muito do conteúdo que servia de pano de fundo da trama em uma abertura maravilhosa, o filme consegue remover flashbacks que acabariam por aumentar em muito sua já extensa duração (163 minutos). Também foi removida a história paralela contada através das revistinhas de um garoto na banca de jornal e o final foi modificado. Sim, é isso mesmo, Zack Snyder colocou-se à mercê da fúria dos fãs e mexeu no final da obra-prima de Alan Moore. Mas sua explicação alternativa para os fatos funciona tão bem quanto o original, além de economizar um bocado de tramas paralelas. Na prática, o final é tão surpreendente e tão fantástico quanto o original. E com um conteúdo que cabia em aceitáveis 2 horas e quarenta minutos, o filme então pôde ser fielmente inspirado nos quadrinhos. Tudo está lá: as anotações do diário do psicótico Rorschach, as memórias da vida do Comediante, o saudosismo da primeira Espectral e do primeiro Coruja, os monólogos frios e analíticos do Dr. Manhatan. Os diálogos foram mantidos, a perspectiva de muitas das cenas, nem mesmo a violência e a crueza de boa parte da trama foram suavizados
. Watchmen” era uma história para adultos e para adultos ela continuou sendo. Talvez a sátira política tenha sido aquela que mais perdeu espaço, mas com 23 anos muitas das referências da época da Guerra Fria não teriam mais espaço no cinema. Até a lanchonete, a banca de jornais e as propagandas das indústrias Veidt foram mantidas. O filme também merece elogios por escapar da armadilha falsa de criar uma história de ação. O apelo de intermináveis seqüências de ação era forte para agradar o público do cinema, mas “Watchmen” se mantém fiel ao tom introspectivo do original.
A ação está presente nos momentos certos, como numa excelente seqüência no presídio, mas é apenas a necessária e corresponde ao conteúdo da revista. O visual dos cenários é outro exemplo de grande detalhamento, mostrando uma década de 80 suja e decadente. O figurino dos heróis chama atenção especialmente ao criar o movimento da máscara que dá nome à Rorschach. Em cima de tudo isso, o filme ainda adiciona um elemento impossível aos quadrinhos e que surpreende: uma trilha sonora excelente, com sucessos da música americana (temos de Bob Dylan a Simon & Garfunkel, passando por Leonard Cohen). E os efeitos sonoros não ficam para trás.
Apesar de não se destacarem as atuações de Carla Gugino (que faz a estonteante Espectral) e de Patrick Wilson (o Coruja), Jackie Earle Haley mostra que sua escolha como Rorschach foi na mosca. E enquanto a voz rouca e triste é o trunfo de Rorschach, Billy Crudup acerta com o oposto, transmitindo a idéia da personagem fria que é o Dr. Manhatan. Jeffrey Dean Morgan é outra boa escolha no elenco, fazendo um violento Comediante, mas Matthew Goode parece um pouco franzino para assumir o papel de Adrian Veidt, o que ele compensa com boa atuação
Watchmen” pode não agradar o grande público devido à sua trama muito dinâmica e mergulho na psicologia de personagens de moral nem sempre clara. Mas para quem não tem medo de um filme complexo, profundo e que sabe combinar ficção com suspense e um visual absolutamente espetacular, então veja, reveja, decore, maravilhe-se com o fantástico “Watchmen”.









Direção:
Zack Snyder


Roteiro: David Hayter, Alex Tse


Baseado na Obra de:


Dave Gibbons (Watchmen)


Alan Moore (Watchmen)


Elenco:


Jackie Earle Haley (Walter Kovacs / Rorschach)
Jeffrey Dean Morgan (Edward Blake / Comediante)
Billy Crudup (Jon Osterman / Dr. Manhattan)
Matthew Goode (Adrian Veidt / Ozymandias)
Carla Gugino (Sally Jupiter / Espectral)
Malin Akerman (Laurie Juspeczyk / Espectral II)
Patrick Wilson (Dan Dreiberg / Coruja II)
Stephen McHattie (Hollis Mason / Coruja)
Matt Frewer (Edgar Jacobi / Moloch)
Niall Matter (Mothman)




Por: Valter Andrade
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2 de outubro de 2010

Bill & Ted Uma Aventura no Tempo & Dois Loucos No Tempo





















Taí mais um filme que marcou a minha infância/adolescência. Bill e Ted são dois jovens apaixonados por Rock n' Roll e que não querem saber de estudar. Mas quando o pai de Ted ameaça lhe mandar para um colégio militar caso não passe na avaliação final de história, os dois amigos precisam encontrar uma maneira de aprender em apenas um dia tudo o que foi ensinado durante o ano todo. Misteriosamente, surge um homem que diz ser do futuro, acompanhado de... Bill e Ted do futuro! Eles oferecem uma ajuda inusitada: Os dois poderão viajar pelo tempo (dentro de uma cabine telefônica...) e conhecer todos os personagens históricos que serão tema da prova final de Ted. É um filme extremamente bobo, com uma história que acontece rápido demais... mas eu adoro! Em que outro filme temos a chance de ver o Rock n' Roll acabando com a fome, trazendo a paz mundial e unindo os povos do Universo??? Em 1991 o filme teve uma continuação: Bill & Ted's Bogus Journey, que curiosamente aqui no Brasil foi lançado com o mesmo título do primeiro... Foi um sequência com um orçamento menor, efeitos especiais piores (como conseguiram??) e personagens ainda mais toscos... nessa aventura a dupla não viaja no tempo, e sim tentam derrotar dois robôs que vieram do futuro para lhes matar e tomar seus lugares. Pra conseguir derrotar os impostores, eles jogam Twist com a Morte, vão paro o inferno, brigam com o diabo, e até falam frente a frente com Deus! Pra quem não lembra, o filme também rendeu uma série em desenho animado que passava nas manhãs da Globo, a muiiito tempo atrás

Resolvi escrever sobre esses filmes pois na entrega do Oscar, Keanu Reeves falou a um repórter sobre a possibilidade de voltar ao papel de Ted, em um terceiro filme da série! Será??? Ele ficou o tempo todo rindo enquanto falava isso, o repórter da MTV até perguntou se era sério, e o Keanu confirmou... mas ficou difícil de acreditar.

Keanu Reeves disse que está trabalhando com o elenco original de Bill & Ted - Uma Aventura Fantástica e Bill & Ted - Dois Loucos no Tempo, clássicos da Sessão da Tarde, na esperança de fazer uma continuação da franquia de comédia.

O companheiro de Reeves no filme, Alex Winter, disse recentemente que as negociações estavam encaminhadas para um terceiro filme, depois do próprio Keanu ter admitido que estava "tentando" trazer a dupla de volta para a telona.
Agora, o ator de 46 anos disse ao MTV News que ele e Winter estavam conversando com os roteiristas Chris Matheson e Ed Solomon sobre o possível projeto. "Estamos tentando. Alex e eu continuamos amigos e estamos nos falando e também com Chris e Ed.
Eles vão tentar escrever alguma coisa",revelou.

"Eu adoraria repetir o papel. Adoraria trabalhar com Alex e Chris e Ed novamente. Vamos ver o que eles podem fazer. Estou encontrando pessoas agora - eles mostraram o filme para seus filhos. Nós só queremos entreter", comentou.

Os filmes de Bill & Ted contam a história de dois adolescentes da Califórnia que viajam no tempo em uma cabine telefônica depois de descobrir que sua banda Wyld Stallyns é a chave para a felicidade futura do mundo

Vamos torcer para que der tudo certo!
Para quem gosta de uma comédia bem despretensiosa, este filme é um prato cheio, especialmente se você já for um iniciado no mundo do Rock n’ Roll. Várias tiradas só serão entendidas se assistido em inglês, por exemplo, quando os dois arrumam uma encrenca no século 15 e são condenados à morte na Donzela de Ferro (Iron Maiden, nome de um instrumento de execução medieval). Quando eles ouvem que vão para o “Iron Maiden”, ficam extremamente empolgados, sem a mínima idéia do que estaria para lhes acontecer.
.
Logicamente no final tudo acaba bem, e enquanto Bill e Ted estão tocando uma música horrorosa, Rufus fala diretamente com o telespectador: “eles irão melhorar”.

Em 1991 foi lançada a continuação do filme, desta vez intitulado Bill & Ted: Dois Loucos no Tempo que, em minha opinião, supera seu predecessor. Seqüências hilárias, como quando Ted está nos portões do céu – após morrer – e, para conseguir entrar, precisa provar que é puro de coração. Ele não pensa duas vezes e manda o refrão de “Every Rose Has It’s Thorn”, do Poison garantindo, desta forma, sua livre passagem.
O final também é espetacular: os dois estão no palco da 4ª Batalha Anual de Bandas de San Dimas e precisam vencer para que sua influência no futuro seja garantida. O problema é que eles ainda não sabem tocar nada que preste, mas eis que a cabine telefônica entra em ação e, após sumirem do palco, retornam segundos depois, com barbas à la ZZ Top, após ano de curso intensivo de guitarra. O filme se encerra com os dois, acompanhados de suas namoradas – também integrantes da banda – tocando God Gave Rock n’ Roll To You II, do Kiss


Piraporinha Filmes indicado para quem quiser dar boas risadas ou apenas brincar de descobrir referências a músicas e bandas de Rock n’ Roll!




"Sejam legais uns com os outros"




Por: Valter Andrade
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27 de setembro de 2010

O Clube dos cinco

Nenhum filme foi mais a fundo na mente adolescente do que "O Clube dos Cinco". Dirigido por John Hughes, o filme conta a história de cinco adolescentes completamente diferentes que por terem cometidos infrações, são obrigados a passar um sábado na escola e escreverem uma redação onde reflitam quem eles são. O grupo é compostos por Andrew (Emilio Estevez), o esportista; Claire (Molly Ringwald), a patricinha; John (Judd Nelson), o deliquente; Allison (Ally Sheedy), a estranha e Brian (Anthony Michael Hall), o cdf. Poucas vezes o cinema abordou de forma tão clara como os adolescentes vêem a sociedade e a família, através de seus medos e anseios (tão característicos dessa época). Entretanto, esses medos não são em vão. Tendo os pais como principal referência, o grupo de cinco se preocupa se acabarão como seus pais. Discutem a cobrança que sofrem para sempre serem os melhores ou como são ignorados pelos pais. De outro lado, Hughes mostra a visão dos adultos através dos diálogos entre o diretor da escola Richard (Paul Gleason) e o faxineiro Carl (John Kapellos). O grande clímax do filme é quando cada um expõe o real motivo de por quê estão ali. Os diálogos são o grande atrativo do filme. Seguem abaixo algumas frases:
"Os garotos não mudaram, você mudou". (Carl para Richard)
"Quando você se torna adulto, o seu coração morre". (Allison)
"Eu não vou tolerar nenhum perdedor em minha família". Andrew repetindo a frase dita por seu pai.

Frases para se pensar... Ao final, eles entregam a redação onde dizem que por mais que eles escrevam a redação pensando em quem eles realmente são, o diretor da escola sempre os verá da mesma forma como sempre viu, encerrando o filme ao som da clássica "Don't you forget about me" do Simple Minds. Se "Curtindo a vida adoidado" é o filme mais popular de John Hughes, com certeza "O Clube dos Cinco" é a sua obra-prima. Vale a pena ver e rever esse clássico!
Especialmente para o inicio do Ano 5 do Cine JP, que nesses ultimos meses continua subtamente dificil em questionamentos pessoais como falta de inspiração ou até mesmo a escassez de filme porém o principal é sempre a preocupação de entregar a vocês não só apenas uma opinião formada de um filme, mas um texto de qualidade e diferenciada, marca registrada desse blog. No ano passado, tive uma oportunidade de conferir um excelente filme que consegue exprimir não só apenas uma arquitetura calculada de qualidade exemplar, mas também uma representação verdadeira de uma geração que mesmo passado alguns anos desde seu lançamento, ainda continua atual e marcante para quem assiste. O filme escolhido é com certeza O Clube dos Cinco de John Hughes.

Em um colégio de Illinois, tudo está vazio assim como o respecto dia. O sábado e o colégio é simbologia de um concreto vazio mas lembra também o descanso de um estudante. Bem, isso era ser. Entretanto em um sábado especial ou inglórioso, cinco jovens com personalidades distintas e peculiariedades únicas são punidos a ficarem dentro da biblioteca da escola e com uma tarefa em comum: Cada um fazer um ensaio de si mesmo.

Não vou me aprofundar muito em suas curiosidades ou o rumo dos atores e principalmente na carreira do diretor John Hughes que praticamente em vida e em seus filmes conseguiu imortalizar a questão do estilo dos adolescentes da decada de 80 e de quebra ditou modos e a mente de muitos jovens nas decadas seguintes e a prova disso é de como uma sessão de qualquer filme dele consegue ser não só apenas um escapismo mas sim uma obra de arte que conseguiu explanar a pulsação juvenil. Obrigado John Hughes por trazer para todos nós esse cinema tão interessante e inesquecivel.
Quem tem mais de 20 anos ou mais sabe o quanto o filme representa: um clássico inquestionavel para o que muitos consideram uma década perfeita onde se via de tudo e até hoje fica aceso em nossos corações. Crescemos vendo a fantasia sendo praticada com tanta perfeição com Spielberg, Lucas, Cameron e a cinesérie de James Bond; Vimos o medo sendo implantado ao mais profundo de nossos corações com os filmes de horror de John Carpenter, George Romero e as cineséries de Jason, Freddy e cia.; Também vibramos e sentimos a adrenalina explodir em nossas veias com os filmes de Stallone e Schwarzenegger. Mas o cinema de John Hughes executou a imagem do adolescente como um pintor mediante a sua obra máxima. E foi com essa visão sutil e inesquecível que O Clube dos Cinco é a representação máxima dessa juventude e talvez da nossa também.
O roteiro de Hughes transparece do inicio até o seu termino a efervencia jovial sintetizados em cinco adolescentes. Muitos dos jovens criticos que surgem no mundo ou aqueles que veem um filme como um produto industrializado veem esse filme como um cliche atrás do outro e alguns vêem como lixos atuais como High School Music, Malhação ou agora Quase Anjos como referencia juvenil. Hughes construiu cada personagem em uma maneira que gradaualmente o público se identifica ao ponto que não só apenas se identifica com um, mas sim com todos ao trazer temas comuns e verdadeiros da juventude como sexualidade, frustrações, reeprendimentos, alegrias, tristezas, ou seja, sentimentos que lembramos o quanto somos frágeis.

Mesmo sendo lançado a mais de 25 anos, consegue ser tão atual quanto a busca de novas emoções desconhecidas em um adolescente. O Clube dos Cinco é um filme tão essencial quanto a própria essencia da vida. Ficamos até surpreendidos que algumas obras tocam em uma maneira tão verdadeira, tão pertinente e tão especial quanto é esse filme de Hughes. Os filmes dele, os discos do Legião Urbana, os desenhos inesqueciveis foram e serão fatos que marcaram as nossas vidas que aqueles tempos vivenciamos ao máximo. Assim como a segunda feira, o dia que o clube tinha mais medo, também temos medo mas vamos deixar chegar e que nos contamine a saudade dos melhores tempos da nossa vida.

Podem berrar, espernear, apresentar teses e até me torturar. Não importa, eu sou uma rocha de convicção quando o assunto é Breakfast Club, ou melhor dizendo, Clube dos Cinco. Para mim este filme é um cult e pronto.
Vamos lá, minha gente, vamos ser camaradas e deixar os preconceitos de lado. Esqueçam o último filme da Jenifer Lopes, os filmes de Sessão da Tarde de cachorros e crianças choronas que nos dão náuseas, e também algumas adaptações baratas de alguns desenhos para o cinema. Esqueçam a Malandrinha, Férias Frustradas e o pentelho do tio Buck. Apenas aluguem esta belíssima fita, sentem numa poltrona de couro bem confortável e viajem para um mundo de cultura pop dos anos 80 ao som dos Simple Minds, sem julgar Clube dos Cinco pelo currículo do diretor.
O quê? quem tiver menos de 25 deve estar se perguntando. Tudo bem, serei mais específica. O filme foi lançado no auge dos polêmicos anos 80. Por aí já começam os preconceitos. Muita gente gosta de caracterizar estes anos como aqueles em que nada se produziu de bom. Que foram anos marcados pela cafonice e a falta de bom gosto. Mas quem fala isso ignora nomes como The Cure e Smiths, o auge da era Spielberg, o período em que o rock nacional mais produziu e o nascimento mundial da MTV e da revista Bizz, em terras tupiniquins.



Os anos 80 foram legais, mas eu não estou aqui para fazer apologia à época dos laços de tule, das bermudas balonê e dos vestidos trapézios. Só quero provar que são meros detalhes o diretor ser suspeito, a época do filme ser suspeita, os atores serem suspeitos... Nada importa. O que vale é a história dos cinco adolescentes que são confinados no colégio em um sábado por terem cometido pequenos delitos, tendo que escrever uma redação de mil palavras sobre o que eles pensam de si mesmos. O clímax do filme fica por conta do momento em que seus papéis estereotipados são quebrados, depois que eles fumam maconha, e passam a aceitar uns aos outros.
Hughes conseguiu unir neste filme a nata dos atores promissores da época, que enfeitavam nossos guarda-roupas e cadernos e por quem éramos capazes de matar por um pôster. Afinal, na época, essas coisas eram mais difíceis. Os nomes podem ser estranhos para muita gente, pois foram esquecidos num piscar de olhos, ops, quer dizer, num piscar de década. Não sei se eu estava viajando mas acho que cheguei a ver a Molly Ringwald, musa dos anos 80 criada por Hughes, fazer uma pontinha num dos trailers da série Pânico. Muito triste para alguém que um dia já foi a Garota Rosa-Shoking... Uma espécie de Cinderela moderna...
Bom, mas já disse que isso não importa. Os cinco eram: Molly Ringwald, que faz o papel de princesinha da turma, Judd Nelson, o rebelde, Emilio Estevez (irmão de Charlie Sheen e que teve um casamento tumultuado com Demi Moore – antes do Bruce Willis), que representa o esportista, Ally Sheedy, uma garota meio dark e Anthony Michael Hall, o garoto mais inteligente da turma, que traz o mistério da trama porque ninguém sabe porque ele está lá.


E é com estes atores, com estes personagens, que Clube dos Cinco tem um argumento simples, com um roteiro leve e profundo rodado em apenas dois meses. Sua beleza não está somente na mistura inusitada de drama e comédia, mas também por representar um momento feliz na carreira de Hughes e em nossas vidas adolescentes, pois não éramos insultados por fórmulas baratas e enlatadas. Talvez até porque seja Hughes que tenha dado origem a estas fórmulas desprezíveis, que apesar de se tornarem um clichê, foram, um dia, originais.

Temos muito que aprender com John Hughes, se considerarmos que ele foi o responsável por moldar o gosto de toda uma geração. Tanto que sustentava o título de Steven Spielberg do mundo adolescente pois foi também o criador de preciosidades como "Curtindo a Vida Adoidado", "Gatinhas e Gatões", e "Mulher Nota 1000". Todos moradores da eterna Sessão da Tarde e alimento da nossa nostalgia.
Depois de assistirem ao filme e lerem os meus argumentos, me digam, Clube dos Cinco é ou não um cult? ****
Por :Valter Andrade
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7 de setembro de 2010

Código de Conduta


Conhecido por dirigir filmes de ação, como "O Negociador" e "Uma Saída de Mestre", F. Gary Gray é um dos diretores afro-americanos mais bem-sucedidos dos últimos tempos. Em seu mais recente filme de ação, "Código de Conduta," ele se volta para uma história de vingança, contando com o ator escocês Gerard Butler ("300") à frente do elenco.

Com roteiro escrito por Kurt Wimmer, responsável pelas histórias de "Reis da Rua" e "Equilibrium" (este último lançado diretamente em DVD), o filme desenvolve a história de Clyde Shelton (Gerard Butler), cuja esposa e a filha são assassinadas durante um assalto. Clyde estava presente e reconhece os criminosos, mas um detalhe jurídico contribui para que um deles, Darby, saia da prisão.

Quando vai pedir ajuda ao promotor público Nick Rice (Jamie Foxx, de "Ray"), alegando que o assaltante estuprou sua esposa, o viúvo percebe que houve um acordo, baseado em delação premiada. Assim sendo, não há nada mais a ser feito. Clyde parte, assim, para planejar sua própria vingança.
Dez anos se passam até ele começar o acerto de contas. O plano é fazer com que o sistema jurídico funcione a seu favor. Sistematicamente, Clyde passa a eliminar todas as pessoas responsáveis pelo inquérito que livrou Darby das acusações. Mas, por falta de provas conclusivas, ele não pode ser preso.


Assim, cabe ao promotor Nick Rice impedir as ações do homem, indo muito além de seu trabalho jurídico (já que promotores não fazem investigação em cenas de crimes). Mesmo contra a vontade, ele acaba entrando no jogo de Clyde, que se satisfaz em humilhá-lo publicamente.

O que mais incomoda nesta história não é a vingança em si, mas a inversão de papeis criada por Kurt Wimmer. Numa história em que não existe "mocinho", ele glorifica os desajustados e dá força a uma defesa do linchamento. Uma lógica perversa presente, aliás, em seus filmes anteriores.

Some-se a essa discussão o trabalho de Gray, que não consegue disfarçar as falhas estruturais da produção. Mesmo as cenas de ação não têm clímax, deixando a desejar num item que, em tese, seria o forte de "Código de Conduta." Apesar da boa dupla de atores Butler e Foxx, o filme não corresponde às expectativas que levantou.

A mulherada que já quis levar o escocês Gerard Butler (o Leônidas de “300?) pra casa, vai ficar em polvorosa de ver o o homem malvadão e peladão neste “Código de Conduta”. Sim, ele é impiedoso com suas vítimas no filme, mas vejam só, ele também foi bonzinho um dia. Levava uma vida tranqüila com a mulher e a filhinha, quando um bando de ladrões entraram em seu apartamento e mataram suas queridas.

Logo depois os malfeitores foram pegos, mas a polícia incompetente não soube fazer uma boa perícia no local do crime, e o promotor público (Jamie Foxx) negociou com os bandidos de tal forma, que um deles conseguiu amenizar sua pena.
Então o Gerard transtornado, perdeu o chão.
Ele queria justiça, mas as brechas do sistema o deixaram literalmente despido.
Achou curioso?
Mais interessante achei a forma como as motivações vão sendo ticadas como uma equação no filme. Porque o homem vira uma espécie de Jigsaw (o vilão da série “Jogos Mortais), disposto a se vingar dos bandidos, dos policiais, do sistema jurídico, usando sempre armadilhas engenhosas.

Filme de ação e suspense para assistir grudado na poltrona e não conseguir desgrudar os olhos da telona.



Piraporinha filmes recomenda! Vale a pena!

Curiosidades:
» Frank Darabont ('O Nevoeiro') dirige e Kurt Wimmer ('Thomas Crown: A Arte do Crime') é responsável pelo roteiro.

Elenco:
Gerard Butler,
Jamie Foxx,
Michael Gambon,
Leslie Bibb,
Colm Meaney,
Theresa Randle,
Viola Davis,
Regina Hall,
Bruce McGill.

Direção: F. Gary Gray
Gênero: Ação
Duração: 108 min.
Distribuidora: Imagem Filmes
Estreia: 06 de Novembro de 2009


Por : Neidy e Valter Andrade
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5 de setembro de 2010

Paranóia


D.J. Caruso já possui experiência em suspense, pois dirigiu em 2004 o filme "Roubando vidas", com Angelina Jolie. Agora em 2007 ele volta ao gênero com um filme adolescente que consegue ser descompromissado e, ao mesmo tempo, interessante. Estrelado por Shia LaBeouf (de "Transformers"), o longa é como uma versão adolescente de "Janela indiscreta".

Kale (LaBeouf) é um jovem que foi condenado a passar 3 meses em prisão domiciliar por ter agredido um professor de espanhol. Com um aparelho preso ao corpo, ele só pode ficar a 30 metros de distância da casa. Caso ele se distancie mais, a máquina chama automaticamente a polícia e ele vai pra prisão.

Mas ao contrário do que se possa imaginar, o protagonista não é um badboy e sim um garoto um pouco rebelde e traumatizado pela morte do pai. Entediado em casa, ele passa a espionar os vizinhos usando um binóculo. E duas coisas chamam sua atenção: a nova e curvilínea vizinha (Sarah Roemer, de "O grito 2" e um estranho morador (David Morse, de "Lembranças de um verão") que ele suspeita ser um assassino em série.

A história desenvolve variando entre a comédia teen e algumas cenas mais tensas. O resultado é positivo. Sem a preocupação de ser aterrorizante ou engraçado, "Paranóia" diverte quem procura um filme mais leve e com boas cenas de suspense! No elenco também está Carrie-Anne Moss (da "Trilogia Matrix" e "Amnésia").

A história bem doida, atores meio conhecidos/meio desconhecidos, binóculos e espionagens são alguns dos ingredientes que fazem a mistura desse filme.

Poucas vezes um filme conseguiu me deixar nervoso… hehehe… E esse conseguiu. Não assistam querendo ver o melhor filme do mundo, mas assistam com a intenção de se divertir, porque o filme consegue mesmo.




Slogan que dá tema ao filme ‘Paranóia’ lembra ‘Janela Indiscreta’, de Alfred Hitchcock.











E por aí vai. Os sustos e suspenses são moderados. Mas vale a atenção pela
releitura proposta da obra de 1954 e a contemporaneidade dos jovens e seus brinquedos tecnológicos. Assim como as possibilidades de atrocidades e perversões dos clássicos subúrbios americanos.












Direção: D. J. Caruso.
Roteiro: Christopher B. Landon e Carl Ellsworth.
Produção: Jackie Marcus, Joe Medjuck, Tom Pollock.
Edição: Jim Page.
Música: Geoff Zanelli.

Elenco:
Shia LaBeouf (Kale),
Sarah Roemer (Ashley),
Carrie-Anne Moss (Julie),
David Morse (Sr. Turner),
Aaron Yoo (Ronnie)
e Jose Pablo Cantillo (Oficial Gutierrez).
Distribuição: Em DVD pela Paris Filmes.


Por: Valter Andrade
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