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10 de outubro de 2010

A Tempestade Do Seculo




Imagine ser morador de uma pequena cidade localizada em uma bela ilha. Ter uma rotina agradável ao lado de amigos e familiares que, assim como você, vivem felizes neste lugar. Tal clima de tranqüilidade é quebrado repentinamente quando, junto com uma forte nevasca, chega ao local um estranho homem que conhece os mais profundos segredos de todos os moradores. Os dias passam e o sujeito repete incessantemente a frase "Dê-me o que quero e eu irei embora". Criado por Stephen King, A Tempestade do Século (Storm of the Century, 1999) pode ser considerado um dos melhores trabalhos criados pelo mestre do sobrenatural, que escreveu uma história de terror psicológico capaz de prender a atenção de quem a assistir durante suas mais de quatro horas de duração.

O cenário da história é a pequena ilha pertencente ao Estado norte-americano do Maine, chamada Little Tall, onde os moradores estão se preparando para enfrentar a pior nevasca dos últimos anos. Nesse mesmo período, chega à cidade um estranho chamado Andre Linoge (Colm Feore, de O Exorcismo de Emily Rose, 2005).
O sinistro sujeito conhece todos os segredos dos habitantes, incluindo os mais obscuros, gerando uma situação de desconforto e, posteriormente, de controle perante as pessoas. O visitante provoca medo nos moradores, que presos pela tempestade, não têm como fugir dele.

Escrita por Stephen King, A Tempestade do Século foi produzida como uma mini-série de três capítulos para a rede de televisão ABC, sendo depois lançada em vídeo e como livro homônimo. Nada de monstros sobrenaturais feios, assassinos psicopatas, mortes horrendas ou pessoas mutiladas vivas. Aqui, temos a história centrada em um suspense muito bem construído que provoca, nos moradores do local, sentimentos de tensão, angústia e anseio, onde o medo é construído através da dúvida do que pode acontecer no desenrolar da trama.

A Tempestade do Século não possui trilha sonora pop ou elenco jovem de seriado da moda. O ótimo roteiro conduz a história que vai se tornando cada vez mais sufocante até a sua conclusão. O telespectador começa então a se sentir como um dos moradores da ilha: ameaçado, fraco e apavorado pela realidade que tomou conta do lugar. A frase repetida pelo estranho ser pode parecer insignificante, mas com o desenrolar do filme, começa a se tornar aterrador escutar tais palavras sendo proferidas.

Aliás, a resposta para esta sinistra sentença será chocante e quebrar tal mistério significaria assassinar o filme. Os moradores da ilha deverão pagar caro ao forasteiro, senão permanecerão presos em uma tempestade que não tem fim. King faz nessa conclusão um dos finais mais perturbadores de todas as suas obras, onde algo amado deverá ser sacrificado para o bem maior de todos, embora isso signifique tomar decisões das quais não se pode voltar atrás. Trata-se de mais um ponto alto da produção.







A direção de A Tempestade do Século ficou por conta de Craig R. Baxley (A Casa Adormecida, 2002), que não apenas respeitou grande parte do trabalho criado por King, como conseguiu transportá-lo para as telas com louvor. Lembrando que apesar de ter sido criado como série para televisão, o lançamento em vídeo da obra foi feito na íntegra, o que manteve um tempo de duração de 257 minutos e mesmo assim, o filme consegue prender a atenção do início ao fim sem se mostrar cansativo em nenhum momento.
O elenco está muito à vontade, conseguindo transmitir medo e angustia através de simples olhares e falas. Incrível como alguns dos momentos mais tensos do filme são justamente baseados nos eficientes diálogos. Se demais produções do gênero se concentrassem em melhorarem seus roteiros, em função de usar a atriz peituda do momento ou sangue em excesso, talvez tivéssemos menos filmes ruins lançados anualmente.


DIRETO PARA A TV


Grande parte da qualidade da trama também se deve ao fato de ter sido realizada pelo próprio Stephen King para a televisão, diferente da maioria de suas obras, que são escritas como livros para depois serem adaptadas para o cinema ou o mercado de vídeo. Apesar do vasto currículo literário, com mais de 50 romances publicados, entre histórias longas e contos, passar a obra de King para o cinema não é tarefa das mais fáceis. O próprio King já declarou não gostar do resultado de alguns de seus trabalhos transformado em película.

Destacam-se entre os grandes sucessos do autor no cinema, produções como Carrie, a Estranha (Carrie, 1976), O Iluminado (The Shining, 1980), Cemitério Maldito (Pet Sematary, 1986), Eclipse Total (Dolores Claiborne, 1995), O Aprendiz (Apt Pupil, 1998), entre outros. Existem obras que deixam de lado o suspense que consagrou o escritor, mas que também geraram ótimos filmes, como Conta Comigo (Stand By Me, 1986), Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994) e A Espera de um Milagre (The Green Mile, 1999).
O sucesso em Hollywood também teve efeito colateral para parte da obra de King gerando inúmeros trabalhos sem qualidades, dos quais destacam-se filmes fracos como Cujo (Cujo, 1983), Sonâmbulos (Sleepwalkers, 1992), The Tommyknockers (1993), A Maldição de Quicksilver (Quicksilver Highway, 1997), O Apanhador de Sonhos (The Dreamcatcher, 2003) entre vários outros.


Um elemento interessante relacionado às histórias de Stephen King é o fato do autor inter-relacionar alguns enredos e personagens, através de citações e de homenagens. Em A Tempestade do Século por exemplo, a ilha onde a ação acontece, Little Tall, é a mesma do filme Eclipse Total (Dolores Claiborne, 1995). Durante outra passagem, um dos moradores fala sobre a cidade de Derry, local onde se passa a história do livro Insônia (Insomnia, 1994). Ainda em A Tempesatde... é possível ver um personagem lendo a obra literária "The Little Pig", que é uma das favoritas do garotinho de O Iluminado (The Shinning, 1980).

Apesar de ser um excelente filme, A Tempestade do Século teve fraca divulgação quando lançado no Brasil. O tempo de duração também não ajudou em um maior interesse pelas fitas, que eram duas. Como ainda não foi lançado nacionalmente em DVD e com a maioria das locadoras de VHS fechadas, o filme começou a desaparecer, o que deve ser considerado uma grande perda para um gênero. Se você tiver a sorte de achar esta preciosidade em algum bazar de vídeos ou locadora que tenha falido e esteja vendendo seu estoque por R$ 2,99, não pense duas vezes e o compre. Ou então você pode baixar o mesmo pela internet ou até importar o DVD. Desta forma, quando os seus amigos forem fazer aquela sessão de cinema na sua casa, pode ter o orgulho de dizer que vão assistir um dos melhores filmes de suspense da história.



Por: Valter Andrade
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8 de outubro de 2010

O Golpista do Ano (I Love You Phillip Morris)


A vasta filmografia de Jim Carrey inclui grandes clássicos da comédia, onde ele podia exercitar suas micagens excessivas e até um pouco forçadas, o que nos fez enxergá-lo sempre como um fanfarrão.

Em suas nuances de humor, tentou mostrar talento em filmes densos como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e O Show de Truman, entre outros; mas, infelizmente, ver Jim Carrey sério, tentando nos fazer acreditar que é um cara de talento dramático, foi sempre um tiro saído pela culatra. O bom dele é o exagero, é a expressão demasiada absurda para determinadas situações. Aquilo que talvez tenhamos vontade quando alguém nos fala algo ridículo: torcer nariz, boca, mostrar a língua, bem ao estilo O Máscara

Em I Love You Phillip Morris, que no título em português ficou O Golpista do Ano Jim Carrey vem mais amadurecido no drama.

Não há caras e bocas, não há trejeitos exacerbados, mas há o talento de um ator que após anos de estrada consegue nos convencer de que é um astro.
Não costumo, quando comento um filme, falar demais do roteiro, dando indicações do que o filme tem pra mostrar. Gosto de dar uma opinião geral, uma crítica que não desvenda totalmente a história, para que assim, quem ler, tenha interesse e vontade de assistir ao filme.
A participação de Rodrigo Santoro é a melhor da sua carreira internacional. Ele se mostra simpático, com um bom inglês e, no momento certo, dramático e convincente.

Ewan Mcgregor é o “protagonista” que divide a cena com Jim e leva o nome do filme. Ewan é Phillip, na construção de um personagem gay perfeito.

Suas reações e trejeitos, seus olhares e sorrisos mostram um cara simples, homossexual reservado e ciente de suas condições junto à sociedade. Em alguns momentos do filme ele demonstra a temeridade de ser gay num mundo tão preconceituoso de homens violentos.

Mas a Jim Carrey temos que dar os parabéns pela convincente interpretação de uma personalidade verdadeira. A história é baseada em fatos reais e, claro, o verdadeiro Steven Russell deve ser tão cara de pau como Jim, mas dificilmente suas expressões são tão boas e cômicas.
É gratificante ver um ator do qual gostamos atingindo um patamar importante de sua carreira. I Love You Phillip Morris, para quem espera um clássico filme gay, é frustrante. Apesar de alguns apelos em determinadas cenas, o filme se concentra na capacidade do personagem Steven de conseguir driblar os mais altos executivos, policiais, médicos e até juízes. Se assim o fez na vida real, foi admirável a capacidade de Steven Russell de ludibriar a máquina do Tio Sam

Como a própria história mostra, as falcatruas de Steven nunca fizeram mal a ninguém, além dele mesmo; nunca causou tragédias, apenas o beneficiou de uma forma “ilegal” que seja, mas que o tornou uma lenda. Não há onde crucificar o personagem, já que o que fez foi única e exclusivamente para proporcionar a ele e aos que o cercavam uma vida de glamour nos padrões que jamais conseguiria sendo um honesto trabalhador americano. Não que aqui faça apologia à falta de caráter, mas como na arte cinematográfica a licença poética é que vale, deixemos Steven Russell amar Phillip Morris da forma como conseguiu.
Vale a pena conferir. Sem expectativas, o filme fica melhor.***
Por: Valter Andrade



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5 de outubro de 2010

Batman - O Cavaleiro das Trevas

O universo das adaptações de quadrinhos para os cinemas jamais será o mesmo após “Batman - O Cavaleiro das Trevas”. Que as histórias do Homem-Morcego são mais sombrias do que as de heróis como Super-Homem, Homem-Aranha e X-Men todo mundo já sabia, mas jamais um filme baseado em HQs havia se arriscado em trazer a tona o que há de mais escondido na mente do homem. “Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão”, diz Harvey Dent (Aaron Eckhart) em frase que basicamente resume o filme.
Diferentemente do que se podia esperar após a última cena de “Batman Begins”, com Gordon mostrando ao herói uma carta de baralho, Batman e Coringa não monopolizam “O Cavaleiro das Trevas”. A figura do promotor Harvey Dent é tão importante quanto a dos personagens mencionados. Dent é o novo rosto da lei e da ordem em Gotham, é o herói que não precisa usar máscaras para combater o crime. E é justamente o fato de não usar máscaras que fará com que Bruce Wayne/Batman apóie o promotor de forma irrestrita, passando por cima inclusive do ciúme que sente do namoro de Dent com Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal substitui Katie Holmes no papel).

Batman vê Dent como o herói que Gotham precisa e cujo sucesso na luta contra o crime poderia levar a sua aposentadoria. Mas os planos do herói em levar uma vida normal serão adiados com o surgimento de um vilão nada usual, que não segue regras.
Coringa é um elemento do caos, um vilão que não quer ganhar dinheiro, mas sim ver o circo pegar fogo. Com origem desconhecida, o vilão comandará uma onda de violência que aterroriza toda Gotham. Sua anarquia é tamanha que chega a deixar o próprio Batman sem saber o que fazer. “Não quero matá-lo. Por que faria isso? Para voltar a matar criminosos de rua e gângsters? Não, isso é muito chato”, diz Coringa ao Homem-Morcego.
O Coringa apresentado em “O Cavaleiro das Trevas” é justamente o dos quadrinhos, aquele que ao mesmo tempo em que gargalha deixa todos aqueles ao seu lado aterrorizados. Muito diferente do trazido por Jack Nicholson em “Batman - O Filme”, de Tim Burton. O desempenho de Nicholson foi marcante, mas aquele personagem era muito mais o “Coringa por Jack Nicholson” do que o vilão dos quadrinhos. O Coringa de Heath Ledger, que morreu alguns meses antes de ver seu trabalho concluído, é indescritível.

A performance do ator australiano entra para a história como uma das melhores e mais impactantes atuações como vilão da história do cinema. O desempenho de Ledger foi tão marcante que logo após as primeiras sessões do filme para a imprensa iniciou-se uma campanha para premiá-lo com um Oscar póstumo, o que não seria nada injusto.

A emoção em torno da perda de Heath Ledger não pode tirar o foco também da atuação de Christian Bale. O ator, que já havia arrasado em “Batman Begins”, aparece ainda mais seguro neste segundo filme. A armadura do Homem-Morcego caiu como uma luva em Bale, nos fazendo esquecer das performances vexatórias de Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney. Em “O Cavaleiro das Trevas”, Bale mostra ao público pela primeira vez na franquia aquilo que Rachel destacou no final de “Begins”, que Bruce Wayne e Batman não são um só, que existe o sujeito mascarado e o playboy. O ator desenvolveu, inclusive, um tipo de tom para cada personagem. É notável a diferença na voz de Bruce para a de Batman.

Além de marcantes atuações de Bale,
Ledger e Eckhart, e da boa e bela presença de Maggie Gyllenhaal, o elenco do longa conta ainda com as voltas de Gary Oldman como o comissário Jim Gordon, Michael Caine como o mordomo Alfred, Morgan Freeman como Lucius Fox, e Cillian Murphy como o Espantalho.


A direção ficou mais uma vez sob a responsabilidade de Christopher Nolan, que também assina o roteiro ao lado do irmão Jonathan Nolan e de David S. Goyer. Nolan representa para o Homem-Morcego o que Bryan Singer representou para os X-Men, ou seja, um diretor de dramas elogiados que de uma hora para a outra resolveu realizar uma adaptação de quadrinhos. Assim como Singer, Nolan sabe mesclar momentos de entretenimento puro com sérios conflitos pessoais. Torcemos apenas para que Nolan não faça como Singer e abandone a franquia antes de um desfecho final, o que, felizmente, parece que não irá acontecer uma vez que tanto o cineasta quanto Bale já revelaram o interesse em seguir na franquia.
Um dos principais acertos de Christopher Nolan em “O Cavaleiro das Trevas” foi optar por não criar Gotham dentro do estúdio, como ocorre em “Batman Begins”. O cineasta preferiu filmar Chicago como Gotham, aumentando as opções de ambientes

Acabou aquilo de praticamente só mostrar um prédio, a Torre Wayne, como acontece no anterior. No novo filme, a cidade é quase uma personagem, cuja felicidade vai acabando. O longa começa com a cidade numa claridade jamais vista na franquia e com o decorrer do tempo vai ficando mais sombria, assim como alguns personagens.
The Dark Knight” (no original) é um filme que merece ser visto e revisto nos cinemas e posteriormente ser adquirido em DVD ou Blu-ray. A única coisa a se lamentar é o fato de nós brasileiros não podermos conferir o longa em salas IMAX, uma vez que a primeira sala neste formato no país ainda está em construção, em São Paulo.

Seis seqüências de “Batman - O Cavaleiro das Trevas” foram rodadas com câmeras IMAX, inclusive os seis minutos iniciais.

Esta foi a primeira vez que um filme de grande orçamento foi filmado parcialmente com câmeras IMAX. Só para esclarecer, a IMAX Experience® será exibida em IMAX DMR (letterbox), enquanto as cenas filmadas com câmeras IMAX em filme de 15/70 mm se expandirão verticalmente para preencher a tela do IMAX inteira, com até oito andares de altura, para gerar uma experiência inesquecível no cinema.

Este segundo “Batman” D.C. (leia-se, depois de Christopher) foi o último trabalho finalizado por Heath Ledger. O brilhante ator poderá ser conferido ainda em “The Imaginarium of Doctor Parnassus”, de Terry Gilliam, mas não chegou a concluir o projeto, sendo substituído por Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law (você não leu errado, os quatro atores interpretaram um só personagem). O Coringa de Ledger passa todo o filme querendo “colocar” um sorriso na cara dos demais personagens, mas no final quem sai sorrindo é o espectador.







Por:Valter Andrade





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4 de outubro de 2010

O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD


MATEI JESSE JAMES (1949) é uma das melhores estréias de um diretor em longa-metragem. E começar a ver os filmes de Samuel Fuller justamente pelo seu primeiro filme me deixou bastante entusiasmado para ver seus outros trabalhos. A estória de Robert Ford, que - diz a lenda - matou o parceiro Jesse James pelas costas e entrou para a história como um covarde, enquanto o lendário fora-da-lei ganhou notoriedade de herói, me fascinou. Principalmente pela maneira como Fuller descreve a angústia e o desgosto de Robert Ford.

Em O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD (2007), de Andrew Dominik, que saiu em dvd recentemente pela Warner mas que eu ainda tive a chance de ver no cinema, conta basicamente a mesma história, mas dando um "desconto" nos motivos de Ford ter matado James, além de mostrar de forma mais descritiva o quanto Ford era fascinado por James e o quanto ele já havia se tornado uma lenda do velho oeste, tendo, inclusive, livros de aventura publicados sobre seus feitos. Alguns desses livros, obviamente, não procuravam ser realistas, preferindo abraçar a lenda.

Quanto a Robert Ford, ele acreditava que, mais cedo ou mais tarde, Jesse o mataria. E apesar de o filme ter esse jeitão comtemplativo e um andamento mais lento do que o habitual, tratam-se de quase três horas de duração, isto é, há muito mais tempo para desenvolver o personagem de Jesse James, interpretado com brilho por Brad Pitt. Mas é Casey Affleck, como o desconfiado, frágil e meio venenoso e invejoso Robert Ford quem rouba a cena, sem fazer muito esforço. O filme se caracteriza por dar grande importância ao visual, à bela fotografia, que valoriza não apenas os cenários exteriores, mas também a cenografia dos interiores, sobretudo, nas cenas na casa de Jesse James. Há também uma narração em off em voz pausada, uma escolha arriscada pelo diretor, o que contribui para que as grandes platéias possam achar o filme chato e cansativo.



Por isso, fiquei impressionado com o fato de um trabalho tão ambicioso como esse ter sido dirigido por um cineasta novato. Além de alguns videoclipes e comerciais para a televisão, o único filme do currículo de Dominik foi o pouco visto CHOPPER - MEMÓRIAS DE UM CRIMINOSO (2000). A longa duração (160 minutos) e o andamento lento são dois aspectos que só se costuma ver em filmes americanos produzidos com a intenção de alcançar os indicados ao Oscar.


E é claro que havia a intenção por parte dos produtores de o filme conseguir sucesso na Academia. Mas o máximo que conseguiram foram duas indicações: uma para melhor ator (Casey Affleck) e outra para diretor de fotografia (Roger Deakins, que assinou também o excelente ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, dos irmãos Coen). Curiosamente o filme de Dominik foi completado em 2005, teve o lançamento agendado para 2006 e depois adiado para 2007. Entre os coadjuvantes importantes, destacam-se Sam Rockwell, no papel de Charley Ford, e Sam Shepard, como Frank James.


Ass: Valter Andrade
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